FREUD
É UM GÊNIO
Das mais vivas recordações
da minha infância tenho a de um final de tarde em que chovia violentamente, e
estávamos eu e minha irmã em casa assistindo a TV, quando meu pai entra na
sala, todo molhado, cenho franzido, uma expressão quase enigmática na face! Não
nos saudou efusivamente como de costume. Não chegou sorrateiro para tentar nos
pregar um susto. Desferiu apenas uma
frase, seca, a queima roupa: “-Onde está sua mãe?’
Nos entreolhamos, eu e minha
irmã, e antes que pudéssemos formular palavra, ele mesmo encontrou a resposta. Iniciou a frase com uma expressão
muito típica dele, mas que não fica bem reproduzir aqui, e continuou: “-No
dentista! Esqueci sua mãe no dentista!” Rodou sobre os calcanhares e tomou apressadamente
o rumo da rua. Nós ficamos lá... às
gargalhadas!
Minha mãe foi esquecida
incontáveis vezes, nas mais diversas ocasiões e locais. No trabalho, na casa da
minha avó, na rua, no dentista! Perdeu horário de almoço, perdeu novela, perdeu
as estribeiras várias vezes.
E eis que hoje, contado com
a amável disposição do meu marido em me buscar no trabalho, já que o nosso
muito organizado Departamento de Trânsito me confiscou a careira de motorista,
fui, descaradamente, esquecida!
Me lembrei da terrível sina
da minha mãe. Freud é o maior gênio que a humanidade já viu.
Ainda bem que a penalidade
do trânsito vai durar apenas 30 dias!
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